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As cooperativas e o Brasil
31/10/2012

* Por Sigismundo Bialoskoski Neto

Hoje, como em 1844, quando surgiu o cooperativismo, vivemos uma nova revolução tecnológica – a era da informação. Também hoje continuamos a presenciar problemas sociais e de pobreza, injustiças sociais, concentração de renda, má distribuição dessa renda. Mas é também em função dessa realidade que o cooperativismo renasce em importância social. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2012 como o Ano Internacional do Cooperativismo. Novamente, buscamos o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária, por meio da organização econômica e da substituição da concorrência pela cooperação.

O cooperativismo é uma forma particular de organização na economia, onde o membro associado é, ao mesmo tempo, proprietário, usuário e gestor de sua organização. Surgiu na Inglaterra – especificamente em Rochdale, em 1844 –, sob a influência direta das ideias dos socialistas utópicos, chamados de associacionistas. Assim, cada associado tem apenas um único voto – herança das ideias igualitárias dos socialistas – e não há lucros, apenas sobras que podem ser distribuídas para cada membro associado, a pro-rata das operações. Dessa forma, não há a exploração do trabalho pelo capital.

Em 1895, com o intuito de internacionalizar o movimento e promover uma revolução por meio da transformação das organizações econômicas e sociais, foi criada a Aliança Cooperativa Internacional (ICA). Hoje a ICA é a maior e mais antiga ONG do mundo, participa da Comissão para a Promoção e Desenvolvimento de Cooperativas (Copac) da ONU para coordenar as atividades de desenvolvimento com a FAO e OIT, integrando perto de 1 bilhão de membros em 98 países por todo o mundo. O cooperativismo é importante em muitos países onde encontramos notáveis exemplos de economias cooperativadas. Essa é a prova da eficiência de um sistema em que a concorrência pode ser substituída pela cooperação econômica.

No Brasil, em 2011, havia 6.576 cooperativas, com mais de 10 milhões de membros. Elas representam cerca de 6% do PIB nacional e são associadas à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). A economia solidária, em 2007, era formada por mais de 21.859 organizações, sendo 2.115 cooperativas e 11.326 associações, que são fundamentais na criação de emprego e de renda em várias regiões pobres do País.

Mesmo com essa capacidade de gerar emprego, renda e distribuição dessa renda, alavancando recursos na comunidade que serão aplicados na própria comunidade, no Brasil não há políticas governamentais expressivas de desenvolvimento que incentivem a formação de cooperativas. Mas, apesar desse vácuo institucional, as cooperativas de economia solidária crescem em número e importância. Também as cooperativas de trabalho e, em especial, as cooperativas de crédito continuam apresentando taxas crescentes de crescimento. Na contramão, as cooperativas agropecuárias estão estagnadas em número, e o mais preocupante é que não estão presentes nas áreas de fronteira agrícola, onde o agronegócio é mais dinâmico.

Mas, falando em exemplos da eficiência dessas organizações, encontramos no município de São Roque de Minas (MG) a Saroncredi. Na ausência de bancos particulares, a cooperativa conseguiu captar os depósitos e poupanças da população da Serra da Canastra e investir em crédito e desenvolvimento social, promovendo importante impulso na economia regional.

Outro bom exemplo são as cooperativas de catadores de lixo e de reciclagem. Atualmente, elas representam a capacidade de organização das classes mais pobres da população e reafirmam o poder de geração de trabalho e de obtenção e distribuição de renda das cooperativas. Essa experiência pode ser replicada para outros setores da economia, para uma política de desenvolvimento efetiva aos municípios brasileiros.

Os últimos dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2006, mostram que essas organizações são formadas, na sua maioria, por pequenos e médios produtores rurais, e que os produtores rurais associados em cooperativas apresentam uma renda média de duas a três vezes maior que aqueles não associados.

Estudos realizados no âmbito do Programa de Estudos em Cooperativismo E-Coop da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (Fearp) da USP mostram que onde há cooperativas há maior capital social, melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), maior renda e melhor distribuição de renda. Para um aumento de 10% na proporção de produtores rurais associados em cooperativas, há um aumento de 2,5% na renda média regional.

Assim, pode-se pensar o cooperativismo como uma forma de política pública para organizar socialmente a economia, gerando emprego nas comunidades e no município. Esse círculo gera renda e a distribui na própria comunidade, diferentemente das empresas de capital.
 
* Sigismundo Bialoskorski Neto é diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (Fearp) da USP, membro do conselho de diretores do Center for Organization Studies (Cors) da USP, coordenador do Programa de Estudos em Cooperativismo (E-Coop) da Fearp e pesquisador do Comitê de Pesquisa da Aliança Cooperativa Internacional


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