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Uma nova perspectiva para o agronegócio
10/09/2012

Por Edivaldo Del Grande*

O programa do governo para os transportes é uma iniciativa sem precedentes em administrações públicas, importante para o país como um todo e, em especial, para o agronegócio, que precisa de estímulos e de investimentos em infraestrutura logística, e também em pesquisa e inovação, para se manter competitivo no mercado interno e global. Mostra que as crises podem e devem ser enfrentadas com coragem e criatividade. Parece que há uma nova mentalidade no ar.

O pacote de concessões de rodovias e ferrovias lançado pela presidente Dilma Rousseff, além do programa para portos e aeroportos ainda em gestação, prevê investimentos privados de R$ 133 bilhões nos próximos 25 anos. Desse total, R$ 80 bilhões deverão ser desembolsados em cinco anos. Serão transferidos à iniciativa privada 7,5 mil quilômetros de rodovias (construção, duplicação ou manutenção) e 10 mil quilômetros de ferrovias (construção ou modernização). O escoamento dos produtos do agronegócio paulista para o mercado interno e externo será diretamente beneficiado, por exemplo, através do Ferroanel SP e da melhoria no acesso ao porto de Santos. O que o país espera agora é velocidade na aprovação do pacote pelo Congresso e velocidade na execução do que foi anunciado.

A competitividade é inerente a qualquer tipo de negócio e somente pode ser conquistada com ações concretas, como a lançada pela presidente. Mas isso não basta para dar segurança aos pequenos, médios e grandes produtores rurais de nosso Estado, tanto na hora de investir como de convencer os mais jovens a permanecer no campo.

Para ser competitivo, o agronegócio precisa de uma política de preços mínimos, de incentivos à adoção das modernas tecnologias de produção, cultivo e manipulação, precisa de uma política de compensação de custos como a amplamente adotada nos Estados Unidos e em países europeus, precisa de acesso a seguros, de garantia de renda, de um fundo de catástrofe com recursos suficientes e sem vínculo com o orçamento da União. E, no momento, também se espera uma rápida definição das normas do novo Código Florestal. As idas e vindas em torno dessa questão aumentam a insegurança dos produtores rurais e retardam investimentos, num mundo que clama por alimentos fartos e baratos.

Além disso, é necessária maior agilidade de nossas autoridades para enfrentar problemas sazonais. É o caso da citricultura paulista, mergulhada em crise sem precedentes. Diante da falta de perspectivas, milhares de pés de laranja estão sendo arrancados, dando lugar ao cultivo da cana-de-açúcar. São Paulo produz metade do suco concentrado de laranja no mundo. Três fatores explicam esse pesadelo, que deixa sem mercado 80 milhões de caixas de laranjas maduras: produção acima da esperada, queda no consumo mundial de suco, em especial na Europa, e suspensão das importações de suco pelos Estados Unidos, argumentando terem encontrado nele resíduos de carbendazim, um fungicida banido naquele país em 2009.

Nesse cenário, é necessário muito mais do que a simples redução do ICMS de 18% para 12%. A Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo) faz um apelo pela redução temporária para zero do ICMS, que faria os preços caírem, e pelo lançamento imediato de campanhas capazes de estimular o consumo interno, seja na merenda escolar, seja em bares e restaurantes. Não podemos deixar à míngua um setor tão importante como a citricultura. E a saúde dos consumidores também ganharia.

O que agora desanima os produtores de laranja já afetou em outros momentos os produtores de café, do setor da pecuária leiteira e até mesmo do setor canavieiro. A importante iniciativa da presidente Dilma para o setor de transportes e logística, assim como medidas anteriores que têm beneficiado a linha de eletrodomésticos e o setor automotivo – de extrema importância para a economia brasileira –, deveria se estender à cadeia do agronegócio, para que nunca falte segurança na hora de investir em produção. Uma verdadeira política de incentivo e apoio à agricultura, independentemente de ideologias, é o que se espera. Essa nova mentalidade é o caminho para, de fato, transformar o país em celeiro do mundo, mesmo diante da crise econômica mundial que nos afeta.

No agronegócio brasileiro o jogo é duro. Além das dificuldades nacionais, nosso produtor compete com altos subsídios de outros países, o que tem contribuído para diminuir a rentabilidade no campo. É nesse cenário de competição dura e muitas vezes desleal, onde é vital buscar mais eficiência e ganhos de escala, que médios e pequenos produtores rurais abraçam o modelo do cooperativismo como oportunidade para também se tornarem competitivos e conseguirem se manter operantes nesse ambiente de negócios. Nós, cooperativistas, estamos atentos e mergulhados nessa empreitada.



*Edivaldo Del Grande
- Presidente da Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo) e do Sescoop/SP (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo)

 


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