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O desafio do nosso embaixador na FAO
17/08/2012

Por Edivaldo Del Grande*

Nesse momento delicado que atravessamos, com a indefinição das regras a que serão submetidos os proprietários rurais com o novo Código Florestal, é um grande alento ter a presença do brasileiro Roberto Rodrigues como embaixador especial para ocooperativismo mundial da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).

No Brasil operam 6.586 cooperativas, com mais de 10 milhões de filiados. São 1.523 cooperativas e quase um milhão de cooperados somente no ramo agropecuário, que a qualquer momento podem ver seus negócios irem por água abaixo.

A presença de Roberto Rodrigues em um órgão de tamanha expressão joga mais luz sobre o Brasil. O país é hoje um dos grandes fornecedores mundiais de alimentos e construiu uma história ímpar de crescimento e eficiência no setor agropecuário. Mas, também é a maior vidraça no que diz respeito à preservação ambiental, justamente por ser um dos grandes detentores de matas preservadas – 62% de matas nativas preservadas para o mundo, sendo insistentemente cobrado por ONGs ambientalistas brasileiras e internacionais.

Se o Código permanecer como está, o Brasil terá de recompor cerca de 40 milhões de hectares de terras, agora consideradas reservas legais. Esperamos que não permitam, com novas regras, comprometer culturas tradicionais, bem como centenas de culturas de comunidades ribeirinhas do Norte do país.

É necessário lembrar que, pela primeira vez, em anos, registramos queda do PIB agropecuário neste primeiro trimestre de 2012. Os motivos apontados para esse resultado negativo são vários e, de fato, devem-se a uma combinação de fatores que só tendem a se agravar, caso não possamos contar com um documento capaz de promover a preservação ambiental e o aumento da produção, ou seja, da sustentabilidade.

É um cenário preocupante para quem, por anos, foi incentivado a desbravar e a produzir, mesmo sem contar com garantias de um seguro rural eficiente ou linhas de crédito acessíveis, ou seja, sem uma política agrícola forte. Esse bravo, de uma hora para outra, pode passar de herói a criminoso ambiental, condenado a investir na recomposição daquilo que era permitido desmatar e ver seu patrimônio ser tomado sem qualquer compensação.

De outro lado, projeções feitas pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) apontam para um crescimento expressivo da demanda mundial por alimentos nos próximos anos, o que fatalmente encarecerá o custo da alimentação e facilitará a exportação caso haja excedente. E se não houver equilíbrio na definição das novas normas ambientais – em sã consciência ninguém se opõe à preservação de nossas matas e nossos rios – não restará ao nosso país outra opção senão recorrer às importações para suprir as necessidades internas. De grande exportador o Brasil passará a importador de alimentos e o custo pesará para a população mais carente.

Esse clima de insegurança em nada contribui para que se desenhe um futuro promissor. Pelo contrário, representa um desestímulo a quem ainda tem recursos para investir e contribuir para o crescimento da produção agropecuária nacional.

No mais alto órgão de representação mundial, Roberto Rodrigues tem uma delicada missão. Seu currículo não deixa dúvida sobre sua competência. Foi presidente da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), da Organização Internacional de Cooperativas Agrícolas e da ACI (Aliança Cooperativa Internacional). É uma trajetória que, aliada à experiência de produtor rural, fez dele um dos mais competentes ministros da Agricultura de nosso país.

Ardente defensor do cooperativismo, tendo o definido como o modelo ideal para promover justiça social em um regime capitalista, ele é para os brasileiros, a expressão da esperança, pela importante contribuição que esse novo embaixador pode dar para alcançarmos o necessário estado de equilíbrio entre a produção agropecuária, capaz de prover a demanda por alimentos e a preservação ambiental.

* Edivaldo Del Grande é presidente do Sistema Ocesp


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