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Agir, antes de o leite derramar
17/07/2012

*Antonio Julião Bezerra Damásio

 Os representantes da produção de leite brasileira são dignos de aplausos por tudo o que conquistaram durante décadas, fazendo o país autossuficiente em lácteos. Hoje, produzimos 32 bilhões de litros por ano, uma posição até há pouco tempo de relativo conforto. Mas um sinal amarelo foi acionado e ameaça nossa capacidade de suprir a demanda interna com a nossa própria produção.  
 
As importações ainda estão em níveis equilibrados, representando de 3% a 4% da necessidade do nosso consumo. O Uruguai tem sido um dos principais fornecedores e viu suas exportações de produtos lácteos para o Brasil subir de US$ 90,8 milhões em 2010 para US$ 187,6 milhões em 2011. Neste ano, nosso vizinho deve produzir 2,2 bilhões de litros. O resultado parece não comprometer o mercado interno brasileiro, mas já é um volume superior à produção leiteira do Estado de São Paulo, que ocupa a sexta posição no país com 1,6 bilhão de litros por ano.
 
O produtor brasileiro se depara com uma série de aumentos nos custos da produção, o que faz nosso produto menos competitivo do que em anos anteriores. De 2011 para 2012, por exemplo, enfrentamos aumento de 12% no custo da mão de obra. As rações e energia tiveram reajuste de 4%, sem falar da queda das cotações internacionais do leite. O ano de 2012 já é considerado como o de maior produção mundial do produto. Portanto, a oferta tende a pressionar ainda mais para baixo os preços nacionais.  
 
Diante desse panorama, defendemos a manutenção de nossa autossuficiência, mesmo com intervenção governamental. O resultado que conquistamos até o momento é fruto de trabalho, pesquisa e organização de nossos produtores que, mesmo diante de muitas dificuldades, continuaram acreditando na produção leiteira e fizeram do Brasil um país de referência no setor.
 
Por isso, a Câmara Brasileira das Cooperativas de Leite (CBCL) defende uma maior atenção do governo brasileiro para os produtores de leite. Ao contrário do que ocorre em outras regiões do mundo, no Brasil aproximadamente 40% do leite produzido vem de cooperativas. Elas, por sua vez, abrigam os pequenos produtores que fazem do seu pequeno rebanho o ganha-pão para toda a família.
 
Nesse momento em que o país da mais atenção à agricultura familiar, nada mais justo do que oferecer instrumentos para que o pequeno produtor de leite enfrente, com melhores condições, a competição externa. Temos certeza de que é na roça que nasce a força do país que quer continuar referência internacional em proteína láctea.
 
*Antonio Julião Bezerra Damásio é presidente da Cooperativa de Laticínios de Sorocaba (Colaso) e membro do Conselho Fiscal da Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo).


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